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25-JAN-2026

Catarina está entre as cidades! Novo ciclo do algodão vai impactar 18 cidades do Ceará e gerar 15 mil empregos; veja mun

Por Diomar 25/01/2026 #agricultura

Um programa do Governo do Ceará promete revitalizar a produção de algodão, inicialmente, em 18 cidades do Estado. A ideia é distribuir gratuitamente sementes de algodão e gerar até 15 mil empregos.

Neste mês de janeiro, ocorre o cadastramento de produtores rurais para o recebimento de sementes de algodão no âmbito do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura no Ceará.

Os municípios contemplados são do interior do Ceará e da Região Metropolitana de Fortaleza. São eles:

Acopiara

Arneiroz

Aiuaba

Catarina

Caucaia

Iguatu

Independência

Itatira

Jaguaruana

Morada Nova

Novo Oriente

Ocara

Parambu

Pedra Branca

Quixadá

Quixeramobim

Quiterianópolis

Tauá

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), foram adquiridas "50 toneladas de sementes de algodão transgênico para distribuir entre os municípios interessados de forma gratuita, como incentivo para promover a revitalização da cultura do algodão no Estado".

Conforme a Pasta, as iniciativas devem fazer com o que o Ceará plante algodão em 5 mil hectares (ha), com uma média de dois a três empregos por hectare.

A produção de algodão, conhecida como cotonicultura, foi a principal cadeia produtiva no Ceará no século XIX e na maior parte do século XX.

As informações do programa estadual foram divulgadas no início do ano pela SDE por meio do Diário Oficial do Estado (DOE). Um edital vai selecionar e cadastrar produtores rurais do Estado para a produção algodoeira.

A pasta ainda destacou que está em negociação com instituições financeiras, incluindo o Banco do Nordeste (BNB), para apoiar o financiamento da cotonicultura cearense.

Como é a produção de algodão no Ceará e nos municípios?

A Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera que a produção de algodão cearense era líder nacional em 1974, divididos em algodão arbóreo e algodão herbáceo, os dois contados em toneladas de caroços.

Segundo o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), entidade vinculada ao BNB, o cultivo de algodão no País começou com protagonismo do Nordeste no século XVIII até os anos 1980. Elas eram de algodão arbóreo, de fibra longa e maior durabilidade.

A partir dos anos 1980, começou a ser introduzido o algodão herbáceo, de fibra mais curta e de maior produtividade, com produção anual.

Dominava o Ceará a produção de algodão arbóreo, que veio caindo ao longo dos anos até ser zerada no século XXI. Situação similar ocorreu com a produção do produto na variante herbácea, que quase dobrou em dez anos.

Ceará volta a retomar produção de algodão

Estado foi o maior cotonicultor do País até os anos 1980.

Em 1974, a região do Sertão Central e do Centro-Sul dominavam a produção algodoeira no Estado. Acopiara, Quixadá e Quixeramobim eram os três principais municípios produtores.

Em 2024, 50 anos depois, Tabuleiro do Norte é, de forma disparada, o município que mais produz algodão no território cearense. Brejo Santo e Mauriti completam o pódio.

"A produção estadual de algodão está concentrada no Vale do Jaguaribe, responsável por 56% do total, e o Cariri, que responde por 23%. Essa distribuição mostra a importância dos polos irrigados do Jaguaribe e a consolidação do Cariri como área em expansão da cotonicultura. Esses municípios vêm se consolidando como referências na cadeia produtiva, mostrando que a cotonicultura pode ser alternativa sólida para diversificação econômica e geração de renda no interior", frisa a SDE.

O biólogo e analista da Embrapa Algodão, Gildo Araújo, elenca algumas razões que fizeram a cotonicultura cair em um declínio ainda mais acentuado do que foi a cana-de-açúcar.

O cultivo era a principal base agrícola do Estado, mas desde o crescimento do algodão herbáceo, nos anos 1980, perdeu força, somado a pragas como o bicudo-do-algodoeiro, que devastou plantações.

Havia um preço do algodão ao nível mundial que não era muito favorável para a economia, vinha de um desmantelamento da cadeia produtiva, com muitas usinas se deslocando do Ceará para outros centros de desenvolvimento, ou retomando, ou iniciando o plantio do algodão, como o Cerrado. Além disso, tem a chegada do bicudo-do-algodoeiro, introduzido no Brasil. Não estávamos preparados para conviver com essa praga".

Gildo Araújo

Biólogo e analista da Embrapa Algodão

Conforme o especialista, iniciativas como o programa estadual para a retomada da cotonicultura cearense são importantes, mas o desafio ainda está na volta da articulação agrícola para o fortalecimento da cadeia produtiva.

"Os programas são essenciais. É fundamental o lançamento de um programa desse para voltarmos a ser protagonistas na cultura do algodão, tanto do ponto de vista de produção, como também da parte têxtil propriamente", pontua.

Protagonismo do Ceará pode voltar com algodões de alto valor agregado

A retomada da cotonicultura cearense vem sendo estimulada também pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).

De acordo com o presidente da entidade, Amílcar Silveira, é um resgate de um cultivo que hoje está nas mãos do Mato Grosso e da Bahia, maiores produtores nacionais, conforme a PAM.

"O que aconteceu no Mato Grosso que não aconteceu aqui, independente do bicudo, que tem lá também, é que eles investem muito em tecnologia na lavoura de algodão. Para plantar uma lavoura de milho, deve se gastar algo em torno de R$ 5 mil. De algodão, tem que gastar mais de R$ 10 mil", expõe.

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Amílcar relembra a antiga ferrovia que cortava o litoral fortalezense levando principalmente algodão cearense para exportação no então principal porto da Capital, localizado na região do Poço da Draga.

"Quando se é produtor de algodão, é um agricultor fora da média, porque não é fácil fazer. O diagnóstico de técnicos da Faec é de que deveríamos plantar algodão em áreas irrigadas. Tomamos o cuidado de fazer alguns experimentos em áreas irrigadas para depois passar para pequenos produtores. O algodão é muito importante para nós, e quando feito em regiões secas, consegue ter fibra melhor", defende.

Foto que contém mecanização do cultivo do algodão no Ceará.

Legenda: Cultivo de algodão no Ceará está sendo retomado associado com tecnologia.

Foto: Honório Barbosa/Agência Diário.

Variantes de algodão que foquem em fibras médias e longas, a exemplo do arbóreo, devem voltar a ser estimuladas no território cearense, conforme o presidente da Faec.

Para ele, é uma maneira de explorar ainda mais a cadeia produtiva e remunerar o produtor com um item de alto valor agregado.

"Existem algodões no mundo e os melhores são o peruano e o egípcio. Queremos um algodão de fibras médias e longas, de alto valor agregado. Ele é mais macio, de maior poder aquisitivo. É um algodão premium. O Sol nos ajuda a ser produtor de algodão, mas precisa de irrigação para ter certeza de que a gente vai colher", observa Amílcar.

Protagonismo do Ceará pode voltar com algodões de alto valor agregado

A retomada da cotonicultura cearense vem sendo estimulada também pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).

De acordo com o presidente da entidade, Amílcar Silveira, é um resgate de um cultivo que hoje está nas mãos do Mato Grosso e da Bahia, maiores produtores nacionais, conforme a PAM.

"O que aconteceu no Mato Grosso que não aconteceu aqui, independente do bicudo, que tem lá também, é que eles investem muito em tecnologia na lavoura de algodão. Para plantar uma lavoura de milho, deve se gastar algo em torno de R$ 5 mil. De algodão, tem que gastar mais de R$ 10 mil", expõe

Amílcar relembra a antiga ferrovia que cortava o litoral fortalezense levando principalmente algodão cearense para exportação no então principal porto da Capital, localizado na região do Poço da Draga.

"Quando se é produtor de algodão, é um agricultor fora da média, porque não é fácil fazer. O diagnóstico de técnicos da Faec é de que deveríamos plantar algodão em áreas irrigadas. Tomamos o cuidado de fazer alguns experimentos em áreas irrigadas para depois passar para pequenos produtores. O algodão é muito importante para nós, e quando feito em regiões secas, consegue ter fibra melhor", defende.

Variantes de algodão que foquem em fibras médias e longas, a exemplo do arbóreo, devem voltar a ser estimuladas no território cearense, conforme o presidente da Faec.

Para ele, é uma maneira de explorar ainda mais a cadeia produtiva e remunerar o produtor com um item de alto valor agregado.

"Existem algodões no mundo e os melhores são o peruano e o egípcio. Queremos um algodão de fibras médias e longas, de alto valor agregado. Ele é mais macio, de maior poder aquisitivo. É um algodão premium. O Sol nos ajuda a ser produtor de algodão, mas precisa de irrigação para ter certeza de que a gente vai colher", observa Amílcar.

Escrito por Luciano Rodrigues - luciano.rodrigues@svm.com.br

Foto: Nilton Alves.

Fonte - Diário do Nordeste.

 

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